SEGUIDOR OU APRENDIZ
- há 2 dias
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A ilusão virtual conflita diretamente na decisão, entre ser seguidor ou aprendiz. E você, já decidiu?
*Por Mãe Gardênia d´Iansã

Nas redes sociais, admirar um sacerdote é fácil: basta seguir, curtir e compartilhar. Difícil começa quando o seguidor entra no terreiro e encontra disciplina, hierarquia, limites e responsabilidades. A imagem construída pela internet encontra a realidade do aprendizado religioso, e nem todos aceitam essa mudança.
Nas redes sociais, um sacerdote pode se tornar querido por milhares de pessoas, que acompanham seus vídeos, reflexões e ensinamentos diariamente, criando vínculos emocionais e expectativas muito particulares. A tela cria proximidade, confiança e até a sensação de intimidade. Porém, quando o seguidor decide atravessar a porta do terreiro, descobre uma realidade diferente: ali existem disciplina, hierarquia, responsabilidades, fundamentos, limites e compromissos que não cabem em uma publicação hoje.
Seguir é escolher o que ouvir, assistir e admirar. Dentro do terreiro, porém, não existe botão para pular aquilo que incomoda. O aprendiz atento e disposto, precisa conviver com orientações e correções. É justamente nesse momento que percebem que admirar um sacerdote pelas redes sociais é completamente diferente de aprender com ele, respeitando a tradição na vida real, com verdadeira humildade.
Enquanto a internet permite selecionar apenas aquilo que agrada, a vida religiosa apresenta também, aquilo que confronta. O sacerdote pode acolher, ensinar e orientar, mas não existe para satisfazer expectativas pessoais ou desejos particulares. Seu compromisso é com o sagrado, com a comunidade e com a tradição que recebeu. Quando essa realidade contraria a fantasia construída pelo seguidor, a admiração pode rapidamente transformar-se em e dolorosa frustração.
Alguns chegam ao terreiro querendo proximidade, atenção e amizade, porque acreditam conhecer profundamente o sacerdote depois de acompanhá-lo diariamente nas redes sociais. Esperam conversas particulares, tratamento especial e respostas para todas as expectativas. Quando encontram limites, hierarquia e responsabilidades, sentem-se rejeitados. O problema, muitas vezes, não está no sacerdote, mas na imagem idealizada, criada pela convivência virtual, que nunca mostrou toda a realidade na prática.
É nesse ponto que alguns seguidores mudam completamente de posição. A pessoa que antes elogiava, compartilhava mensagens e defendia o sacerdote, passa a criticá-lo, justamente porque não recebeu aquilo que imaginava merecer. A decepção nasce quando a admiração pela pessoa não evolui para respeito pelo culto. Gostar do sacerdote é fácil; aceitar seus ensinamentos, quando contrariam desejos pessoais, exige maturidade, humildade.
Ser aprendiz, significa compreender que a tradição não existe para confirmar vontades individuais. Existe caminho, tempo, disciplina, responsabilidade e fundamento. Nem toda orientação será confortável, nem toda correção será agradável, e nem todo desejo será atendido. Ainda assim, quem realmente deseja aprender de verdade precisa separar o sacerdote da fantasia construída sobre ele e compreender que o terreiro exige presença, respeito, compromisso e transformação.
No fim, as redes sociais podem abrir uma porta, despertar curiosidade e aproximar alguém de uma tradição, mas não substituem a experiência de aprender dentro de uma comunidade. Fácil é seguir, curtir e admirar. Difícil é permanecer quando surgem limites e responsabilidades. Mais difícil ainda, é deixar de ser apenas seguidor para tornar-se aprendiz, respeitando o sacerdote, o terreiro, o sagrado, os mais antigos e o próprio caminho de transformação diariamente.
Artigo de Opinião
Texto: Filho de Pemba
Foto: Acervo Instituto Mãe Balbina




Li esse texto, como quem ler uma cartilha que aprendi quando criança.
A cada parágrafo, fui concordando.
A cada frase, fui me espelhando.
São palavras claras, reais e atribuídas não só nos dias da era digital.
O fundamento da Umbanda é o mesmo em todos os tempos. (Respeito, Hierarquia, Compromisso, Disciplina, Regra e Responsabilidade);
A essência maior que vejo iluminar a Umbanda é a Caridade.
Texto trás a verdade a qual mostra que osfundamentos de um filho de fé, são arraigados na disciplina, no respeito ao sacerdote, nas normas de cada chão sagrado, e que a vale a máxima : A Umbanda é realmente para todos, mas nem todos são para a Umbanda!